"A desigualdade social na América Latina é em sua maior parte planejada" afirma coordenador do exame do PISA

By Martina D. - abril 09, 2019

Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE e coordenador das provas do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), destacou à BBC Mundo algumas mudanças e adaptações que o Brasil e a América Latina devem realizar para melhorar na área da educação. Segundo ele, o sistema de ensino brasileiro é prejudicado devido aos elevados e intencionais índices de desigualdade social no país. Confira:

 1) Encarar a desigualdade social
Muito pode ser melhorado na educação brasileira e latino-americana. Mas Schleicher aponta um "elefante na sala", um problema grave e dominante falado por poucos. "Este problema é a desigualdade. E para dizer a verdade, a desigualdade na América Latina é, em sua maior parte, planejada", disse Schleicher.

"Basicamente, se você vem de uma família com recursos, vai frequentar um colégio talvez privado, se formar e depois o governo lhe dará muito dinheiro quando você conseguir uma das poucas vagas nas universidades públicas. Você se sairá bem", afirmou. Afinal, a mensalidade das universidades públicas é custeada integralmente pelo Estado, independentemente da classe social do aluno ou da sua família. Entretanto, a maioria dos alunos das universidades federais pertence à parcela mais rica da população brasileira e possui condições financeiras de arcar com os seus estudos. Universidades públicas de países como EUA, Portugal, Canada, Austrália, Noruega, Finlândia e Áustria cobram taxas de matrícula ou anuidade da maioria dos alunos, para não haver elevados custos para o governo.

 3) Ensinar poucas coisas, mas em profundidade
 Os sistemas de ensino com melhor desempenho focam em três coisas, afirma Shleicher. Em primeiro lugar, demandam rigor - ou seja, o nível de exigência dos alunos é muito alto. Em segundo, se concentram em aprender poucas coisas, mas "muito, muito bem". E em terceiro está um elemento que Schleicher chama de coerência ou progressão na aprendizagem. "Na América Latina, os livros de texto são maiores do que no Japão, onde o importante é ensinar pouco e em profundidade", afirmou. "Geralmente, o que vemos na América Latina é que os estudantes não aprendem algo no quarto ano do ensino fundamental e aquilo voltará a aparecer, de maneira distinta, no quinto e no sexto ano."

3) Diminuir os índices de evasão escolar
"Se você fosse dono de um supermercado e visse que, de 100 clientes que entram, uns 30 vão embora diariamente sem comprar nada, você passaria a se perguntar: por que as pessoas não querem ficar no meu supermercado?"

"Não costumamos fazer essa pergunta quando se trata de ensino. Acreditamos que a resposta é fazer uma escola obrigatória", afirmou Schleicher." A resposta está em garantir que as escolas realmente ajudem os alunos a ter um trabalho melhor, uma vida melhor." Entretanto, os conteúdos lecionados em sala de aula muitas vezes distanciam-se da vida prática dos alunos. Em diversos países, as escolas oferecem aulas de marcenaria, corte e costura, música e dança. No Brasil, o currículo escolar ainda  limita-se a um padrão engessado de disciplinas, com pouca flexibilidade para que os alunos possam escolher os conteúdos que irão aprender na escola.

Fonte: https://g1.globo.com/educacao/noticia/quais-sao-os-paises-com-melhor-educacao-e-o-que-precisamos-fazer-para-chegar-la.ghtml

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