A educação como um mero produto

By Martina D. - abril 23, 2018

Nós, adultos, podemos distinguir claramente as diferenças entre as principais características de cada etapa da vida, desde a primeira infância até a terceira idade. Baseando-se nesta informação, os pais devem refletir através de algumas perguntas muito simples: será que estamos permitindo que as crianças possam ser realmente crianças? Será que estamos permitindo que elas possam brincar, desenvolver a criatividade e as habilidades emocionais? 

Claramente, há inúmeros pais que não valorizam a importância da infância na vida do filho (a) como um ser humano, que possui necessidades e passa por etapas diferentes durante este processo de crescimento até a fase adulta. É possível ver nos dias de hoje meninas vestidas como adultas para ir a lugares simples, como escola ou parque. Também há inúmeras escolas bilíngues que forçam os alunos da educação infantil a aprenderem mais de duas línguas estrangeiras, através de materiais com termos, expressões e vocábulos que pertencem ao discurso e a realidade de adultos.

E o que falar das escolas em que é proibido que as crianças se sujem? Existe criança sem sujeira e bagunça? Além disto, cada vez mais as crianças são cobradas e seguem rotinas semelhantes às de adultos. A realidade da educação brasileira (tanto a privada quanto a pública) é preocupante. Infelizmente, as instituições privadas tem como prioridade o capital, ou seja, o lucro. Afinal, sem lucro, como é possível manter a escola? Para isso, é preciso manter matriculados os alunos, que além de alunos, também são clientes. É aí que esta o problema: é preciso agradar os pais e às vezes até os alunos.

E para agradar os pais e mantê-los felizes, pagando a mensalidade, as escolas muitas vezes ignoram conceitos básicos sobre os princípios da educação. O professor perde a autonomia e os pais e os alunos (que são também clientes) ganham poder dentro das creches e escolas. Eles podem (diretamente ou indiretamente) mandar, monitorar e até modificar o comportamento dos educadores, de acordo com os seus interesses próprios, ou de acordo com "achismos". Um exemplo disto são escolas em que as crianças não podem se sujar, para que os pais não reclamem. É gente que nunca leu um livro ou um artigo sobre educação controlando as regras, as dinâmicas e até a forma de avaliação de turmas e de escolas inteiras.

Estamos falando sobre o fracasso de um sistema que desvaloriza os professores, desvaloriza o poder da educação e serve para agradar quem não deveria ter autoridade nenhuma sobre a escola, nem sobre a educação. É mais ou menos assim: você passa por uma cirurgia acordado, enquanto controla o trabalho do médico e dos enfermeiros. Depois, quando algo da errado, você não entende por que aquilo aconteceu. 

E o que fazer diante dessa situação? Primeiramente, os pais precisam ter consciência da importância do papel do professor dentro da escola. É preciso confiar e respeitar quem educa e ensina.  Finalmente, eu acredito que se as instituições de ensino ensinarem os pais sobre os aspectos, as teorias e as pesquisas que existem nos dias atuais sobre educação, metodologias de ensino e desenvolvimento da criança e do adolescente, a mentalidade do brasileiro iria sofrer algumas mudanças fundamentais para a melhoria do ensino no país. Um esforço de todos seria indispensável para que futuramente a educação do país transforme-se.

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